Como são as crianças de hoje por causa da tecnologia

14 DE MARÇO 2018

“Precisamos priorizar o aspecto sensorial, colocar a criança em contato com o concreto, experimentar o limite do corpo e as diversas maneiras de se expressar”. São palavras de Pedro Eugênio Cunha Brigatto, engenheiro da Computação e Especialista em Engenharia de Software. Ele é pesquisador na questão “Tecnologia e Educação” e pai do garoto Lucas, de 4 anos, que estuda no Colégio Acadêmico COC. Brigatto sabe os riscos e benefícios que a tecnologia traz na vida das crianças, quando o assunto é relação familiar e sala de aula.

Hoje em dia as crianças já nascem conectadas à tecnologia, pelo fato dos pais, não desgrudarem das redes sociais. Quando muito pequenas, não entendem o que significa, mas com o passar dos anos, percebem que também podem usufruir do meio digital através de jogos, desenhos, filmes, fotos e mensagens enviadas e recebidas.

Neste aspecto pode estar relacionado um grande problema de acordo com o estudioso. “Os pais, na correria cotidiana, e ainda que inconscientemente, vêm delegando o cuidado, e mesmo a educação de seus filhos a uma entidade que sequer é capaz de definir, quem, o que, e que intenções causas por trás das telas dos tablets, celulares e notebooks usados pelas crianças, diuturnamente. Usar esses recursos, como meros atalhos para silenciar ou distrair os filhos, algo muito comum nos dias de hoje, é um grande erro. O mundo do entretenimento está repleto de armadilhas e mensagens subliminares, e descuidar-se deste fato é expor os pequenos ao risco”, analisa o engenheiro.

O profissional relata que na pouca idade começa a ser trabalhado o desenvolvimento sensorial, quando a criança passa pela emoção e capacidade de perceber o mundo e criar o próprio raciocínio. Neste caso a tecnologia pode ajudar a limitar ou ampliar os recursos de conexão com o mundo. “Limita à medida que, pela facilidade do acesso, aliado a abundância de conteúdo nem sempre consistente, frequentemente resumido e enviesado, pode levar à superficialidade e mesmo à desinformação. Amplia, por outro lado, ao colocar a criança em contato com iniciativas e programas notadamente nobres disponíveis na rede”, disse.

Os pais devem estar atentos aos perigos da internet, como vício em jogos, distração, crimes virtuais, pornografia e outros. “Os pais precisam participar da vida dos filhos diariamente, mas eles começam tarde demais. Sem referência familiar e religiosa, as crianças viram massa de manobra”, pondera. “E há de se priorizar a experiência concreta. Hoje, com tudo na palma da mão, o fato é que todas aquelas brincadeiras antigas e tão saudáveis, que proporcionam interação real entre pequenos e adultos, são algo raro de se ver”.

Como a internet é um mercado em plena ebulição, com grande potencial de alcance internacional, torna-se aliada do professor como ferramenta de interação com os alunos. Os dispositivos móveis estão cada vez mais presentes no processo de aprendizado e são imprescindíveis na aplicação de conteúdo.

A Unesco já realizou estudos afirmando que cerca de 70% dos estudantes em todo o planeta utilizam o celular para ler e escrever e, considera o aparelho adequado para a prática em sala de aula.

Em um mundo cada vez mais conectado, é inevitável que a relação tecnologia e educação esteja cada vez mais próxima, pelas vantagens em relação à melhora do desempenho de docentes e discentes.

O que se sabe é que a intensa presença da tecnologia na vida das crianças geram impactos na convivência familiar ou no dia a dia do ambiente escolar. Este tema tem sido comum e torna-se um desafio para as escolas e professores, sobre como usar os novos recursos tecnológicos a favor do ensino. Este fato está em todas as partes do mundo e lutar contra a presença da tecnologia é meramente uma utopia.

“A internet está aí para o bem e o mal. E o mal é sempre mais atraente. Sejam curadores do material que seus filhos estão consumindo”, finaliza o pesquisador.

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